segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Não Há Como Fugir - A Música que Pariu-se em Mim


E hoje recomeçou o meu período letivo na faculdade de Música.
Quem me conhece sabe da minha saga e mus conflitos quanto à faculdade; o quanto eu reclamo das exigências de uma graduação e, principalmente, das questões todas que envolvem uma formação penosa e suas exigências sobrehumanas aos jovens músicos.
Reclamo, falo, falo de novo e reclamo com revolta tamanha mais um pouco. Deixo clara toda a minha indignação a inúmeras questões.
Mas, no primeiro dia de aula, eu choro (de novo), não cabe tentar dizer o quanto isso me faz feliz, essa vivência musical com mestres que nos pareciam outrora seres tão distantes de nossas realizações agora nos ensinando ali em sala de aula.
A revolta quando nos exigem desempenhos impossíveis e, quando já se está quase perdendo as energias (psicológicas, principalmente), depois de horas e horas, aulas e aulas, se percebe que o impossível se tornou possível finalmente. Me emociono ao sentir as sensações que a vivência dessa música desafiadora me traz na vida. Me emociona sentir coisas que eu não sei explicar e sei que nunca as saberei.
E eu vivo essa coisa que me preenche tanto, mesmo que eu negue, mesmo que eu me confunda, mesmo que eu me revolte e mesmo que eu não queira que me preencha assim.
A Música me preenche de uma forma que eu mesmo nem gostaria, pois me torna dependente. E é uma dependência cruel, chegando a ser desleal, pois é uma dependência que me salva, que me transcende e que me fará chorar lágrimas e lágrimas em penúrias e alegrias.
E daí não consigo me desvincular mais Dela.
E o importante é isso. Sendo coisas boas o ruins, o que mais faz valer a pena é o fato de que a MÚSICA sabe me pegar nas unhas e me fazer SENTIR. Dor ou Orgasmo, a Música me faz sentir.
E fazer sentir é a maior realização de todas.
ME ESFREGA NA CARA (sem nenhuma gentileza) O FATO DE QUE ESTOU VIVO. E, SENDO ASSIM, SOU OBRIGADO A PARIR ALGUMA COISA, A TODO O TEMPO.
Como eu já disse em outros textos, Arte e PARIR. E parir DÓI.
Obrigado MÚSICA!
Agradeço a meus professores, que tanto me impressionam na filosofia de vida que fazem através da música, na forma de olhar o mundo e como se tornaram deuses através dela. E como ainda tentar preservar a humildade através disso.
Aos meus alunos, que tanto me ensinam e me obrigam a crescer, me obrigam a ser melhor que eu mesmo. Me fazem dar os passos que a mim mesmo seria difícil dar sem motivação maior, eles mesmos.
À minha família, que tem me apoiado da forma que lhe cabe, me respeitando e percebendo essa minha indiscutível necessidade de Arte e de Vida. Percebendo que, assim, ela acontece em mim.
E à Vida, que me colocou aqui, onde nem eu esperava estar. Onde nem eu sonhava encontrar tanta Vida esperando para se criar em mim.
Querendo ou não, sou grato. E isso meus olhos (e a minha existência) não podem negar.
OBRIGADO e FIAT, MÚSICA!