terça-feira, 5 de novembro de 2013

Porquê a Família Brasileira Anda com Tantos Valores, Que Quase Me Mudei de País pra Não Acabar Ofendendo


Hoje uma mãe me fez uma crítica acerca de um trecho de um poema de Hilda Hilst, do livro Cartas de Um Sedutor, que estive postando em minha página pessoal do Facebook. A crítica era no sentido de que crianças acessavam a minha página e por isso eu não deveria estar realizando postagens daquele tipo. Lastimável foi a surpresa que eu tive ao ouvir isso! Hilda Hilst foi uma das mais belas escritoras brasileiras e escreveu coisas lindíssimas, como o Livro Cartas de Um Sedutor, que trata sobre questões como édipo, fantasias sexuais, e homossexualidade. Assuntos esses que, por algum estranho motivo, até hoje são tabus sustentandos com unhas e dentes por alguns.
O que sinto quando presencio momentos como esse é medo. Pois daí se vê o quanto o preconceito é perigoso, fere, deturpa  e chega ao ponto de matar. Assim se vê o quanto aquilo que é mau está próximo e sim de maneira muitas vezes despercebida. Isso faz mal; o preconceito, a limitação da liberdade de pensamento e de visão da escolha e maneira de viver do outro; a acusação velada.
No entanto, as mesmas mães que proíbem os filhos de lerem obras desse tipo, andarem com amigos "delicados" e gostarem de coisas não comuns a meninos, são as mães que deixam que esses mesmo filhos fiquem em frente a um computador jogando, ou vendo os pais jogarem jogos que fazem unicamente referência à morte, crime, armas e coisas do tipo. São as mesmas mães e pais que sentam no sofá com os filhos em dia de domingo para assitir a um filme tido como "suspense e ação", mas que se baseia completamente em uma personagem que o seu único objetivo na trama é matar o maior número possível, recebr alguns tiros, explodir alguns carros, roubar algum dinheiro pra, ao final, ser o herói da história. Acho contos de fadas mais saudáveis.
Ao fim, são essas mesmas famílias que vão à igreja aos domingos, dizem que deve-se praticar o amor ao próximo, se utilizando do artifício da Bíblia, condenam a homossexualidade e seguem as suas vidas vivendo de maneira limitada e querendo que todos que pensem de maneira diferente sejam condenados, renegados e não levados à sério. Porém vemos muitas mães com Bíblia, terços e obejtos sacros nas mãos em portas de cadeias e bocas de fumo e becos da vida tentando resgatar os filhos que, por algum motivo extraordinário, que ninguém entende, acabou entrando no mundo do crime e com isso acabou sendo preso ou morto.
Como um apaixonado pela educação, pela vida e, principalmente, pela minha condição e orientação sexual, penso que, quem não tem cabeça para pensar, não se pode querer dar ao luxo de tentar educar. A mente é feita de limites para serem rompidos em prol do desenvolvimento e não para serem ainda mais engrandecidos em prol da "Santa Ignorância".
Amar antes de tudo faz bem. Ter acesso à Arte e à uma educação que, ao invés de limitar, liberte, faz mais bem ainda.

Abaixo segue o trecho em questão. De, Cartas de Um Sedutor, de Hilda Hilst:

Perdoa-me, Cordélia, mas a não ser tu, minha irmã e tão bela, não tive um nítido e premente desejo por mulher alguma. Mas sempre gosto de ser chupado. Então às vezes seduzo algumas de beiçolinha revirada. Mas o falo na rosa, nas mulheres, só ‘in extremis’. Há em todas as mulheres um langor, um largar-se que me desestimula. Gosto de corpos duros, esguios, de nádegas iguais àqueles gomos ainda verdes, grudados tenazmente à sua envoltura. Gosto de cu de homem, cus viris, uns pêlos negros ou aloirados à volta, um contrair-se, um fechar-se cheio de opinião. E as mulheres com seus gemidos e suas falações e grandes cus vermelhuscos não me atraem. Bunda de mulher deve dar bons bifes no caso de desastre na neve."